Esta é mais do que uma aventura no espaço...

É sobre a maior distância do universo...

Aquela que existe entre duas pessoas

Dorden sempre foi um viajante solitário

Um andarilho do cosmos, guiado mais pelo instinto do que pelo destino, sem jamais esperar pertencer a lugar algum

Darla nunca deixou seu próprio mundo

Isolada em um planeta envolto por nuvens, cresceu cercada pelo silêncio de uma vida que não escolheu

Entre as tempestades de Júpiter e o silêncio das estrelas, dois mundos destinados à solidão encontram, no acaso, uma brecha para se tocar

Trecho do livro Dorden e a Lenda de Júpiter

Um pequeno vislumbre

(…) Darla sorriu da mesma forma, e o silêncio tímido voltou a visitá-los, dando lugar a mais alguns minutos de contemplação.
— Podemos dar uma volta com a sua nave? — perguntou, animada.
Dorden hesitou por um instante.
— Bom, temos um pequeno problema. Um certo alguém… — entoou, lançando um olhar para Mr. Key, que respondeu com um sorriso de dentes cerrados e olhos piscantes — comeu todo o suprimento que servia de combustível. E foi assim que acabamos presos naquele asteroide.
— Drama, drama, drama… Podemos ver por um outro lado. — rebateu o pequeno macaco.
Ele saltou dos ombros de Dorden até a cama de Darla, estufou o peito e impostou a voz com toda pompa.
— Um precioso alguém, após uma grande aventura, foi acometido por uma imensa fome. Naturalmente, nada mais justo do que um lanche como recompensa por todo o esforço empenhado. Afinal, este lindo corpinho não se mantém assim com um jejum de duas horas.
— Você tinha comido há meia hora — rebateu Dorden, indignado.
— Não dê ouvidos a ele… — disse Mr. Key à princesa. — Retomando, de onde parei? Ah, pois sim. Por um pequeno descuido, causado por seu capitão, é claro, este grande herói acabou confundindo as embalagens… e então aterrissaram, sob forte emoção, em um asteroide de seu imenso cinturão.
— Bravo! Acabou? — debochou Dorden.
— Não! Agora é a melhor parte, veja só… E foi assim que nosso solitário Capitão Dorden se apaixon…
Antes que Mr. Key ousasse terminar a frase, Dorden o encarou com um olhar cúmplice, porém ameaçador, fazendo-o interromper a própria fala e passar a assobiar, em provocação, com uma expressão de falsa superioridade.
— Ah, para… eu gosto dele. É tão fofo. Você só estava com um pouco de fome, né, Key? — sorriu a princesa, arrancando um olhar encantado de Mr. Key, que se aninhou ao maior dos pelúcias de Darla, espreguiçando-se com exagero.
A princesa armou um pequeno biquinho com os lábios, demonstrando um descontentamento fofo com a situação. Até que, ao processar a informação, se deu conta de um detalhe:
— Você é doido? Se arremessou em um planeta desconhecido sem combustível? Como você voltaria? O que te levou a fazer isso? — ela o encarou, incrédula, e seu tom divertido deu gradualmente lugar a uma preocupação sincera.
Dorden desviou o olhar, hesitando por mais um instante. Como poderia dizer à Darla, que seus lindos olhos e encantador sorriso eram a razão daquela loucura?
— Eu simplesmente fiz. — respondeu, arrancando um riso surpreso de Darla.
— Capitão Dorden… Capitão Dorden… Você está sempre em busca de aventura, não é? — brincou ela. — Mas talvez eu tenha algo que sirva de combustível (…)

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Por trás de Dorden

Este projeto esteve comigo por quase uma década, atravessando diferentes versões de mim. O que começou como o conceito para um curta-metragem eventualmente se transformou em algo muito mais pessoal e expansivo. Durante esse período, Dorden viveu entre esboços, notas, roteiros inacabados e ideias que amadureceram lentamente, junto da minha escrita e das minhas experimentações visuais, até finalmente encontrar sua forma: um livro. O meu primeiro.

E, como o próprio Dorden diria: o tempo faz as coisas crescerem, mas nunca mais do que um sonho. E hoje, posso dizer que tenho a imensa alegria de compartilhar esse universo com você.

— Camila Vollger
Autora e Ilustradora

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